A montagem combina dados do ALMA com imagens do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, de quatro galáxias distantes. As imagens ALMA, apresentadas a vermelho, mostram as galáxias distantes de fundo a serem distorcidas pelo efeito de lente gravitacional, produzido pelas galáxias que se encontram em primeiro plano, e que são apresentadas a azul com dados do Hubble. As galáxias de fundo aparecem em forma de anéis de luz, os chamados anéis de Einstein, rodeando as galáxias mais próximas - Crédito:ALMA (ESO/NRAO/NAOJ), J. Vieira et al.
Observações feitas com o telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (
ALMA) mostram que a
formação estelar mais intensa no cosmos ocorreu muito mais cedo do que se supunha anteriormente.
Pensa-se que a formação explosiva de estrelas aconteceu em
galáxias brilhantes de grande massa, no
Universo primordial. Estas galáxias convertem enormes reservatórios de gás e poeira cósmica em novas estrelas a uma taxa impressionante - muito mais rapidamente que a formação estelar noutras galáxias mais calmas como a nossa Via Láctea.
Olhando para estas galáxias distantes - a sua luz demorou muitos milhares de milhões de anos a chegar até nós - os astrónomos conseguem observar esta
fase intensa do Universo jovem.
“Quanto mais distante estiver uma galáxia, mais longe no tempo a estamos a ver, por isso ao medir distâncias podemos reconstruir a linha cronológica de quão vigorosa é a formação estelar no Universo nas diferentes épocas da sua história de 13,7 mil milhões de anos,” disse Joaquin Vieira (California Institute of Technology, EUA), que liderou a equipa e é também o autor principal de um dos artigos publicados na revista Nature.
Usando o
telescópio ALMA para captar a radiação emitida por 26 destas galáxias, os cientistas ficaram surpreendidos ao descobrir que muitas destas galáxias longínquas e poeirentas que estão a formar estrelas,
se encontram ainda mais longe do que esperavam. Isto significa que, em média, os
episódios de formação estelar intensa ocorreram há 12 mil milhões de anos atrás, quando o Universo tinha menos de 2 mil milhões de anos, ou seja, mil milhões mais cedo do que se pensava anteriormente.
Além disso, duas destas galáxias são
as mais distantes deste tipo de galáxias alguma vez observadas - a sua luz começou a sua viagem quando o Universo tinha apenas mil milhões de anos - e numa delas detectou-se
água entre as moléculas observadas, o que marca as
observações de água mais distantes no cosmos publicadas até à data.