quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tubarões-baleia aprenderam a sugar peixes através dos buracos das redes de pesca


Numa recente expedição à Baía Cendrawasih da Indonésia, investigadores das organizações Conservation International e WWF (Fundo Mundial para a Natureza) e do Instituto de Investigação Hubbs Sea World captaram imagens de tubarões-baleia que aprenderam a sugar os peixes das redes de pesca.
Os cientistas ajudavam as autoridades locais a estudar a população de tubarão-baleia (Rhincodon typus), recentemente descoberta na região, e tiveram a oportunidade de observar como os tubarões se aproximavam das redes de pesca, esperando pelos peixes que normalmente se soltam.
No entanto, os tubarões desta baía Cendrawasih não se mostraram muito pacientes, e rapidamente aprenderam a sugar os peixes através dos buracos das redes de pesca.
O tubarão-baleia, o maior tubarão e também o maior peixe – que pode pesar até 20 toneladas e medir 12 metros de comprimento - é filtrador, isto é, alimenta-se de plâncton e pequenos peixes que filtra na água através de sucção.
Apesar de ser proveitosa para o tubarão-baleia, esta estratégia de alimentação pode ser perigosa, aumentando o perigo do animal ficar preso nas redes.
Fonte: via comunicado da Conservation Internacional

Ciência colorida: Sol Van Gogh

O Sol, representado através da nova técnica de visualização, mostrando as áreas em que o plasma aqueceu e/ou arrefeceu - Crédito: NASA/Viall

Embora a imagem pareça uma pintura impressionista de Van Gogh, na realidade é uma belíssima imagem científica de uma região do Sol.
Resulta da aplicação de uma nova técnica de visualização de determinados dados do Sol, criada pela cientista solar Nicholeen Viall, do Goddard Space Flight Center da NASA, em Greenbelt, Md. Através da nova técnica, a cientista cria mapas coloridos mostrando como o plasma da atmosfera solar aquece ou arrefece, já que as cores representam diferentes temperaturas.
A cor de cada pixel contém uma riqueza de informações sobre a história de 12 horas de arrefecimento e aquecimento naquele ponto específico sobre o Sol. Essa história de calor tem pistas sobre os mecanismos que conduzem a temperatura e os movimentos da atmosfera do Sol, ou corona.

Aurora austral sobre uma estação de pesquisa na Antárctida

Aurora austral ou Luzes do Sul, na Antárctida - Crédito: ESA/IPEV/ENEAA/A. Kumar & E. Bondoux

Espectacular aurora austral sobre a estação Concordia na Antárctida, um dos lugares mais remotos da Terra, em 18 de Julho de 2012. A Via Láctea brilha por detrás das luzes do sul.
A imagem foi captada pelos cientistas Alexander Kumar e Erick Bondoux, nas proximidades da estação de pesquisa franco-italiana Concordia, localizada à latitude de –75°S.
A ESA utiliza esta base na preparação para futuras missões de longa duração para além da Terra. Durante o inverno, a estação fica em escuridão quase total, com uma temperatura média de -51 °C e um recorde de temperatura mínima de -85 °C. É um lugar ideal para estudar os efeitos sobre pequenas equipas multiculturais, isoladas por longos períodos num ambiente extremo, hostil.
Fonte: ESA

Cassini detectou relâmpagos em plena luz do dia em Saturno

Mosaicos de cores falsas do relâmpago captado pela sonda Cassini no meio das nuvens da gigantesca tempestade que rodeava o hemisfério norte de Saturno, durante a maior parte de 2011. O mosaico maior (à esquerda) mostra o relâmpago, que aparece como um ponto azul, assinalado pela seta branca. O mosaico menor (à direita) é composto por imagens captadas 30 minutos mais tarde, e onde já não se notam relâmpagos no local - Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

A sonda Cassini, da NASA, captou imagens de relâmpagos em Saturno, em plena luz do dia do planeta. Cassini estava a estudar a grande tempestade que alastrou no hemisfério norte de Saturno, o ano passado.
Os relâmpagos aparecem como manchas azuladas no meio das nuvens da maior tempestade que se conhece no planeta. É a primeira vez que os cientistas detectam um raio em comprimentos de onda visíveis, no lado de Saturno iluminado pelo Sol.
Os raios surgem mais brilhantes no filtro sensível à luz visível azul das imagens da câmara da sonda Cassini, em 6 de Março de 2011. Os cientistas aumentaram o tom azul para determinar o seu tamanho e localização, tornando o brilho mais visível. Eles observaram vários relâmpagos, mas ainda não sabem por que só o filtro azul os captou.
As imagens revelam que só a energia visível do relâmpago de dia em Saturno pode atingir os 3 biliões de watts por segundo, podendo comparar-se aos relâmpagos mais fortes da Terra. Além disso, abrange uma região com cerca de 200 Km de diâmetro, quando sai do topo das nuvens. Por isso, os cientistas acham que os raios se originam nas nuvens mais baixas da atmosfera de Saturno, onde congelam gotículas de água, tal como acontece com a formação de relâmpagos na Terra.
Embora sem a visão privilegiada da Cassini, podemos observar Saturno todos os dias a oeste, ao anoitecer, durante o mês de Julho, acompanhado de Vénus e a estrela Spica, da constelação de Virgem.
Fonte: NASA

Tempo espacial: forte erupção solar de classe M7.7

Imagem do Sol captada pelo Observatório Solar Dinâmico, da NASA (SDO), em 19 de Julho de 2012, durante uma erupção solar de classe M7.7. A imagem representa a luz no comprimento de onda de 131 Angstrom, que é particularmente bom para ver erupções, e que normalmente é colorida em tom verde - Crédito: NASA / SDO

O complexo de manchas solares AR1520-1521 produziu, novamente, esta quinta-feira (19 de Julho) uma grande explosão de radiação, classificada de M7.7, quase atingindo uma erupção de tipo X, a mais poderosa.
A gigantesca erupção também produziu uma ejecção de massa coronal (CME), que não deve atingir a Terra, pois a região activa já se encontra a passar para o outro lado do Sol (à direita). No entanto, poderá produzir-se uma leve tempestade de radiação, provocada por protões acelerados pela erupção.
O aumento da actividade solar é normal, dado que o Sol caminha para o máximo do seu ciclo de 11 anos, que deve acontecer em 2013. Durante esta fase, espera-se que o número de erupções solares aumente, podendo até ser mais intensas.
A magnetosfera terrestre protege o nosso planeta, impedindo a entrada de radiação que possa prejudicar a vida à superfície. Mas se as erupções forem muito intensas e dirigidas directamente à Terra, sobretudo no caso de CMEs que enviam partículas solares para o espaço, as comunicações podem ser afectadas assim como os sistemas electrónicos nos satélites e na Terra.
Mais informações em Spaceweather 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Descoberto possível exoplaneta menor que a Terra

Ilustração do candidato a planeta UCF-1.01, visto em primeiro plano, e que pode ter a superfície coberta de magma devido à sua temperatura elevada, causada pela proximidade com a estrela - Crédito: NASA/JPL-Caltech

Durante observações com o Telescópio Espacial Spitzer, da NASA, astrónomos detectaram o que pensam ser um exoplaneta com apenas dois terços do tamanho da Terra, um dos menores já encontrados. O candidato a planeta, designado por UCF-1.01, orbita a estrela de nome GJ 436, localizada a uns 33 anos-luz de distância, o que o tornaria, possivelmente, o planeta menor que a Terra mais próximo do sistema solar.
O candidato provavelmente é rochoso e quente porque orbita muito perto da sua estrela, cerca de sete vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Dada a sua proximidade, muito mais perto do que o planeta Mercúrio está do nosso Sol, a temperatura da superfície pode ser maior que 600 graus Celsius. Com esta temperatura, o exoplaneta não tem atmosfera e a sua superfície pode ser semelhante à de Mercúrio, cheia de crateras, ou então o calor extremo derreteu-a e o planeta está coberto de magma.

O Planeta azul tem pouca água na sua formação. Porquê?

Imagem da Terra mostrando se toda a água do planeta (líquida, gelo, água doce e salgada) fosse colocada numa esfera com cerca de 1.385 km de diâmetro, um pouco menor que a distância Lisboa-Paris - Crédito: Jack Cook, Woods Hole Oceanographic Institution; USGS

Cerca de três quartos da superfície da Terra está coberta de água, a maior parte no estado líquido, o que faz dela o Planeta Azul, de certeza o mais bonito do universo. No entanto, os astrónomos dizem que o nosso planeta é seco, facto que sempre os intrigou.
Na verdade, menos de um por cento da massa da Terra é água, e pensa-se que a maioria dela foi trazida por asteróides após a sua formação inicial.
Um novo estudo tenta explicar a falta de água do nosso planeta e sugere que, provavelmente, a Terra se formou numa parte mais quente e mais seca do sistema solar do que se pensava até agora.

Observação mais precisa de um quasar distante

Ilustração do quasar brilhante 3C 279, no centro de uma galáxia distante. Os quasars são centros muito brilhantes de galáxias longínquas, alimentados por buracos negros de elevada massa. Este quasar contém um buraco negro com uma massa de cerca de mil milhões de vezes a do Sol e encontra-se tão distante da Terra que a sua luz demorou mais de 5 mil milhões de anos para chegar até nós. Foi observado com a maior precisão conseguida até agora, utilizando três telescópios localizados em diferentes locais e ligados de modo a funcionar como um só grande telescópio - Crédito: ESO/M. Kornmesser

Uma equipa internacional de astrónomos observou o coração de um quasar distante com uma precisão sem precedentes, dois milhões de vezes melhor que a da visão humana.
Para isso, os astrónomos ligaram três telescópios situados em continentes diferentes, e conseguiram fazer a observação directa mais precisa de sempre do centro de uma galáxia distante, o quasar brilhante 3C 279, que contém um buraco negro supermassivo, com uma massa cerca de mil milhões de vezes a do Sol. Está localizado a uma grande distâcia da Terra, na constelação da Virgem, que a sua radiação demorou mais de 5 mil milhões de anos a chegar até nós.

Ilhas Salomão tornaram-se num centro de "lavagem" de aves selvagens

Catatua de crista amarela (Catatua sulphurea), classificada como criticamente em perigo. O seu comércio está proibido - Fonte: wikipédia

O último relatório da organização Traffic denuncia a exportação de milhares de papagaios, catatuas e outras aves exóticas das ilhas Salomão, nos últimos 10 anos. As aves são registadas ilegalmente como criadas em cativeiro, mas as autoridades afirmam que as ilhas não têm grandes unidades de reprodução de aves.
As Ilhas Salomão recentemente juntaram-se à CITES, a convenção do comércio mundial dos animais selvagens, que estabelece condições diferentes para a negociação de animais criados em cativeiro e selvagens.
Segundo a Traffic, responsável pela monitorização do comércio da vida selvagem, as Ilhas Salomão tornaram-se num centro de "lavagem" de aves selvagens, com base no comércio de aves criadas em cativeiro.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Grande iceberg separou-se de um glaciar da Gronelândia

O Glaciar de Petermann originou um novo iceberg gigante, observado através do satélite Aqua da NASA - Crédito: NASA/NASA Earth Observatory/Jesse Allen

O Glaciar de Petermann é um grande glaciar ao longo da costa Noroeste da Gronelândia, em direcção ao Oceano Árctico, onde termina numa plataforma de gelo gigante alongada flutuante.
Periodicamente, este glaciar quebra formando icebergs. Em 2010, Petermann originou um iceberg gigantesco, uma verdadeira ilha de gelo. Este ano, o glaciar voltou a quebrar, libertando mais um iceberg.
A formação do novo iceberg foi observada pelo satélite Aqua, da NASA, que tem uma órbita polar e passa sobre a região várias vezes por dia. As duas imagens do Glaciar de Petermann, captadas em 16 de Julho de 2012, permitem ver que às 10:25 Tempo Universal Coordenado (UTC), o iceberg ainda se mantinha próximo do glaciar, mas pelas 12:00 UTC, o iceberg já tinha começado a mover-se para o norte até ao fiorde. No dia seguinte, 17 de Julho, o afastamento do iceberg era maior.

Roedores ladrões ajudam a conservar a floresta tropical

Cutia (Dasyprocta punctata) roendo um fruto - Fonte: wikipédia

A cutia é um mamífero roedor da América Central que se alimenta de sementes de muitas espécies de plantas, mas gosta especialmente das sementes de Astrocaryum (género de palmeiras). Tal como outros roedores, ele tem o hábito de armazenar alimento para mais tarde comer, e enterra as sementes no solo em toda a floresta, cada uma num local diferente. No entanto, estes roedores são exímios ladrões e roubam o alimento uns dos outros, desenterrando-o e escondendo noutro local. Este comportamento das cutias, pouco digno do ponto de vista humano, pode estar a ajudar a conservar árvores tropicais que dependem de animais para espalhar as suas sementes.
Um estudo realizado no Panamá, publicado online na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere que as cutias da espécie (Dasyprocta punctata) ajudaram a sobreviver a palmeira preta (Astrocaryum standleyanum), dispersando as suas sementes para longe, ao roubá-las às suas iguais e enterrando-as noutros locais.

Nave Soyuz e tripulantes chegaram à Estação Espacial Internacional

Nave russa Soyuz TMA-05M aproxima-se da ISS, em 17 de Julho de 2012 - Crédito: NASA TV

Os astronautas da Expedição 32 Suni Williams, Yuri Malenchenko e Aki Hoshide chegaram à Estação Espacial Internacional, depois de dois dias de viagem. A nave espacial que os transportava, Soyuz TMA-05M, acoplou de forma automática como previsto, esta terça-feira por volta das 8:30 (hora de Lisboa). Assim, a estação orbital tem a sua tripulação completa, com seis membros.
Este acoplamento coincide com uma data importante na história da exploração espacial. Em 17 de Julho de 1975, aconteceu o primeiro encaixe entre uma nave espacial americana Apollo e uma nave Soyuz 7K-TM, da antiga união soviética. Foi a primeira missão com uma tripulação internacional, que culminou na construção da ISS, numa colaboração de várias agências espaciais e países.
Vídeos da chegada da Soyuz e astronautas aqui.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Lémures, provavelmente os vertebrados mais ameaçados do planeta

Lémure preto-de-olhos-azuis (Eulemur flavifrons), a única espécie de primata que tem esta cor de olhos, para além do ser humano. Agora está mais ameaçado - Fonte: wikipédia

Uma nova avaliação de especialistas reunidos numa conferência da União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN), em Madagáscar, considerou que os lémures são os mamíferos mais ameaçados do planeta. Os lémures são pequenos primatas de olhos grandes, que vivem na natureza apenas na Ilha de Madagáscar.
Os peritos, vindos de vários países, avaliaram o estado de conservação das 103 espécies conhecidas de lémures do planeta e concluiram que 91% dos animais está ameaçada, com maior ou menor gravidade.
Na actualização da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da UICN, 23 espécies estão Criticamente Ameaçadas, 52 estão Ameaçadas, 19 são Vulneráveis e três Quase Ameaçadas. Apenas três têm um estatuto Pouco Preocupante.