De acordo com
um novo estudo da revista Science, a
convivência com os Neandertais, que se extinguiram há 28 mil anos, na Península Ibérica,
melhorou o sistema imunitário do 'Homo sapiens', depois de deixar a África.
Estudos anteriores já tinham demonstrado que
herdámos ADN desses nossos antepassados, até quatro por cento no nosso genoma. Do mesmo modo,
os Denisovanos, que viveram entre há 30 a 50 mil anos na Sibéria e Sudeste asiático, também se reproduziram com a nossa espécie,
os humanos modernos, dos quais recebemos cerca de seis por cento, nalgumas populações actuais asiáticas.
No estudo agora divulgado, a equipa de Peter Parham, da Universidade de Stanford, nos EUA, quis determinar a importância do contributo desses humanos menos evoluídos, e centrou a sua atenção nos genes que colaboram na defesa contra os vírus e outros agentes patogénicos - os genes do sistema HLA, porque estão submetidos à influência das doenças e mudam com facilidade. Os cientistas
conseguiram identificar vários genes e regiões do ADN que foram doados pelos nossos antepassados ao sistema imunitário que ainda temos.
Os autores concluiram que
o cruzamento com outras espécies melhorou os humanos modernos. Durante milhares de anos, Neandertais e Denisovanos adaptaram-se ao ambiente, na Eurásia, e
criaram defesas imunológicas contra os seres patogénicos locais que, depois, transmitiram aos humanos actuais, que assim ficaram beneficiados. Num claro exemplo de selecção natural, segundo os investigadores, os
humanos que resultaram do cruzamento de espécies e receberam os genes protectores sobreviveram.
Fonte:
Público.pt