As pardelas-de-bico-amarelo ou
cagarros ão as
aves marinhas mais comuns nos
Açores. Nidificam nas falésias costeiras de
todas as ilhas e em alguns ilhéus, aonde chegam na Primavera, depois de passarem alguns meses nos mares do Sul, pois são aves pelágicas, adaptadas para a vida no alto mar.
Para fazer o ninho os
cagarros preferem cavidades naturais e fendas na rocha, mas também podem ocupar tocas de coelho no solo ou escavar o seu próprio buraco. Neste arquipélago nidificam mais de duzentos mil casais reprodutores, cerca de 76% da população mundial da espécie
Calonectris diomedea-subespécie
borealis, também conhecida na região por
cagarra.
Os seus
cantos nocturnos são peculiares e inesquecíveis. Ouvi-os, em criança, na Vila do Nordeste, em S. Miguel. Todos os dias, após anoitecer, eles passavam voando e "cantando" sobre a minha casa, o que me dava medo. Naquele tempo os cagarros eram considerados o "bicho-papão" da criançada.
Os cagarros têm, apenas, uma cria que alimentam até ao seu regresso ao Atlântico Sul, em Outubro. Os jovens deixados pelos progenitores, com a fome, começam a sair dos ninhos em direcção ao mar, em busca de alimento. Só regressam passados 5 anos para se reproduzirem e geralmente no mesmo local onde nasceram.
Esta espécie tem protecção legal a nivel nacional e internacional. O Governo dos Açores promove, todos aos anos, uma campanha,
SOS Cagarros, em que a população ajuda a salvar muitas crias que acabam por cair nas estradas, atraídas pelas luzes artificiais, durante a saída dos ninhos para o mar. É considerada uma espécie vulnerável, por isso é proibido capturar ou abater estas aves assim como destruir ou danificar os seus habitats.
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