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sábado, 8 de outubro de 2011

Mars Express observa sinais de água e aglomerados de pequenas crateras em Marte

No canal Ares Vallis, em Marte, destaca-se a cratera Oraibi, com cerca de 32 Km de diâmetro, cheia de sedimentos e com a borda sul destruída pela água. Em 1997, a missão Pathfinder, da NASA, poisou nesta região, 100 Km a norte da cratera, numa área fora do lado direito da imagem. A imagem foi obtida pela sonda Mars Express, em 11 de Maio de 2011 - Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)

Recentes imagens da sonda Mars Express, da ESA, mostram o grande canal designado por Ares Vallis, com grande concentração de jovens crateras e outras mais antigas, parcialmente destruídas, pela passagem da água, em tempos antigos.
As imagens, obtidas em 11 de Maio de 20011, revelam que grandes quantidades de água devem ter atravessado Ares Vallis com grande força, provavelmente há mais de 3,8 biliões de anos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Os cometas podem ter sido importantes na criação dos oceanos terrestres

Novas medições do Observatório Espacial Herschel descobriram água quimicamente semelhante à da Terra no cometa Hartley 2. Os astrónomos já pensavam, anteriormente, que os impactos dos cometas gelados na Terra primitiva teriam depositado apenas cerca de 10 por cento da água dos nossos oceanos. As novas descobertas, no entanto, sugerem que os cometas tiveram um contributo muito maior - Crédito: NASA/JPL-Caltech

Astrónomos descobriram restos de água, do mesmo tipo da que forma os oceanos da Terra, no cometa 103P/Hartley 2, originado no Cinturão Kuiper. Esta descoberta pode ajudar a explicar como a superfície da Terra foi coberta por água.
Novas medições do Observatório Espacial Herschel mostram que o cometa Hartley 2, contém água quimicamente semelhante à dos oceanos da Terra.
"Os nossos resultados com o Herschel sugerem que os cometas poderiam ter desempenhado um papel importante trazendo grandes quantidades de água para uma Terra primitiva", disse Dariusz Lis, co-autor do artigo publicado online na revista Nature.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cratera rara marciana que já foi um lago com delta

A Agência Espacial Europeia (ESA) publicou um conjunto de imagens captadas pela sonda 'Mars Express' que mostram uma cratera que já foi preenchida por um lago, quando a água líquida corria pela superfície de Marte, nos tempos primitivos do planeta.

À esquerda é a cratera Holden, de 140 km de diâmetro e à direita está a parte restante da cratera Eberswalde, com um diâmetro de cerca de 65 km. Ambas estão localizadas nas terras altas do sul de Marte (com o Norte à direita da imagem). A imagem foi adquirida pela sonda Mars Express, aproximadamente a 25 ° S / 326 ° E, em 15 de Agosto de 2009 - Crédito: ESA / DLR / FU Berlin (G. Neukum)

A cratera Eberswalde, de 65 Km de diâmetro, está localizada nas terras altas do sul de Marte e formou-se há mais de 3,7 biliões de anos, quando um asteróide atingiu o planeta.
Parte da cratera ficou coberta com os escombros resultantes de outro impacto posterior, que criou a cratera Holden, de 140 Km de diâmetro. Mas na zona visível da cratera Eberswalde, aparece o que antes terá sido um grande delta, uma área de sedimentos escuros em forma de leque e com múltiplos canais fluviais, ocupando uma área de 115 quilómetros quadrados. O delta e os seus canais de alimentação estão bem preservados. Possivelmente, quando o lago secou, parte das formações foram cobertas com sedimentos levados pelo vento. Mais tarde, a erosão na área do delta acabou por revelar a sua estrutura.

A cratera Eberswalde contém um caso raro de um delta marciano. Os canais que alimentavam o lago na cratera estão muito bem preservadas (no topo da cratera, à direita). Os depósitos do delta e os canais juntos fornecem uma indicação clara de água líquida superficial durante o início da história de Marte - Crédito: ESA / DLR / FU Berlin (G. Neukum)

A estrutura do delta, identificada pela primeira vez pela nave espacial Mars Global Surveyor, da NASA, é uma indicação clara de que, há muito tempo, a água já correu pela superfície de Marte.
As crateras Eberswalde e Holden eram dois dos quatro possíveis destinos do robô Curiosity, da missão Mars Science Laboratory, da NASA, na busca de vida em Marte. Eberswalde foi proposta porque o seu delta indicava a presença de água no passado e Holden por causa da sua diversidade mineral e muitas estruturas que sugerem também água líquida no passado. O terceiro candidato era Mawrth Vallis, que expõe algumas das camadas antigas mais ricas em argila de Marte.
No entanto, em Julho de 2011, a cratera Gale foi escolhida como local de pouso da missão, dada a sua alta diversidade mineral e estrutural relacionadas com a água.
Fonte: ESA

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O oxigénio pode ter alimentado a vida nos oceanos primitivos, mais cedo do que se pensa

Pesquisadores descobriram que o oxigénio pode ter existido nos oceanos primitivos centenas de milhões de anos antes de aparecer na atmosfera terrestre. A descoberta pode ajudar no conhecimento das primeiras formas de vida que utilizaram o oxigénio.

A vida à base de oxigénio pode ter surgido nos oceanos, antes de se formar o oxigénio atmosférico - Crédito: NASA /Reto Stöckli

Actualmente, cerca de um quinto do ar que respiramos, e do qual depende a vida, é oxigénio. No entanto, ele não existia ou era raro na atmosfera primitiva. Só a partir do Grande Evento de Oxigenação (GOE), o oxigénio molecular,O2, constituído por dois átomos de oxigénio, se acumulou na atmosfera terrestre, há cerca de 2,3 biliões de anos, contribuindo para a respiração e evolução da vida na Terra, tal como a conhecemos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Telescópio Spitzer terá detectado grafeno no espaço?

O Telescópio Espacial Spitzer da NASA detectou a assinatura de flocos grafeno, no espaço. Se a descoberta for confirmada, será a primeira vez que o material é encontrado no cosmos.
Foram identificados sinais de grafeno em nebulosas planetárias das nossas galáxias vizinhas Nuvens de Magalhães. Spitzer também detectou, na mesma região, C70, uma molécula relacionada, encontrada pela primeira vez fora da nossa galáxia.

A ilustração mostra grafeno, "buckyballs" e C70 sobrepostos a uma imagem da nebulosa planetária Helix, uma nuvem de material expelido por uma estrela moribunda - Crédito: IAC/NASA/NOAO/ESA/STScI/NRAO

O grafeno apresenta-se em folhas planas de átomos de carbono, densamente compactados e com a espessura apenas de um átomo de carbono, formando uma estrutura cristalina hexagonal. Foi sintetizado em laboratório, pela primeira vez, em 2004. A pesquisa sobre as suas propriedades mereceu o Prémio Nobel da Física em 2010. É um material forte, bom condutor da electricidade como o cobre. É considerado o "material do futuro", com aplicações em computadores, telas de dispositivos eléctricos, painéis solares e muito mais.
Encontrar grafeno no espaço interessa aos cientistas. O seu estudo poderá trazer uma maior compreensão sobre as reacções químicas que envolvem o carbono no espaço, fornecendo pistas sobre o desenvolvimento dos compostos de carbono que formam a base da vida na Terra.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Blocos de construção do DNA podem ser feitos no espaço

Há evidências de que alguns blocos de construção de DNA, a molécula com o código genético da vida, encontrados em meteoritos provavelmente foram criados no espaço. A descoberta foi feita por cientistas financiados pela NASA e suporta a teoria de que algumas partes criadas no espaço e deixadas na Terra por impactos de meteoritos e cometas, ajudaram na origem da vida.

Os meteoritos contêm uma grande variedade de nucleobases, um componente essencial do DNA (ilustração) - Crédito: NASA Goddard Space Flight Center / Chris Smith

Desde 1960 que têm sido encontrados alguns componentes do DNA em meteoritos, mas não se sabe se foram criados no espaço ou se resultam de contaminação pela vida terrestre.
"Pela primeira vez, temos três linhas de evidências que, juntas, nos permitem confiar que esses blocos de construção do DNA, na verdade, foram criados no espaço." disse o Dr. Michael Callahan do Goddard Space Flight Center da NASA, em Greenbelt, e que é o principal autor de um artigo sobre o estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Região polar norte de Marte em mudança

A imagem mostra uma parte da região polar norte de Marte, no solstício de verão no hemisfério norte, com zonas brancas brilhantes de gelo de água. A foto foi obtida pela câmara estéreo da Mars Express, de alta resolução, em 17 de Maio de 2010 - Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)

Estudos científicos feitos pela Mars Express mostram que a calota polar norte está coberta por água congelada e gelo de dióxido de carbono no inverno e primavera, mas no verão marciano todo o gelo de dióxido de carbono aquece e evapora para a atmosfera do planeta. Permanece o gelo de água, que se observa na imagem como zonas brancas brilhantes. Ocasionalmente, verificam-se grandes libertações de vapor de água na atmosfera, a partir dessas camadas.
O gelo polar segue as estações. No inverno, parte da atmosfera volta a gelar como geada e neve na capa polar norte. Estes depósitos sazonais podem estender-se para o sul, até 45 ° N de latitude, e ter até um metro de espessura.
Ocorre outro fenómeno nas escarpas curvas da calota polar norte, tal como a encosta Rupes Tenuis (à esquerda da imagem). Durante a primavera, a camada de dióxido de carbono sazonal é coberta pela água em forma de geada. Em certos momentos, os ventos removem a fina camada superior de água congelada, revelando o gelo de dióxido de carbono por baixo.
Estes processos mostram um ciclo da água dinâmico em Marte e podem levar a um depósito variável de gelo de água sobre a calota polar.
Fonte: ESA

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Observações da sonda MRO da NASA sugerem fluxos de água em Marte

A NASA anunciou em conferência que observações feitas com a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) revelaram possíveis fluxos (correntes) de água, durante os meses mais quentes em Marte.

Combinações de imagens orbitais em 3D feitas com o equipamento High Resolution Imaging Science Experiment (HiRISE), a bordo da sonda MRO,  mostram fluxos escuros que aparecem e vão crescendo na primavera e no verão, numa ladeira dentro da cratera Newton de Marte, em 30 de Maio de 2011, estação de verão no local, 41.6 graus de latitude sul e 202.3 graus de longitude este - Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Estruturas (veios) escuras, semelhantes a dedos, aparecem e vão crescendo nalgumas ravinas de Marte durante o final da Primavera e Verão, desaparecendo no Inverno. Foram feitas observações repetidas das mudanças sazonais destes veios em vários declives acentuados, em latitudes médias do hemisfério sul de Marte.
"A melhor explicação para estas observações até agora é que há um fluxo de água salgada", disse Alfred McEwen, da Universidade do Arizona, Tucson, que é o principal investigador de HiRISE e principal autor de um relatório sobre os fluxos recorrentes publicado na revista Science.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Observatório Herschel detecta oxigénio molecular no espaço

Através do Observatório Espacial Herschel e ajuda da NASA, os astrónomos identificaram moléculas de oxigénio no espaço, descobertas no complexo de formação estelar de Orion.

Ilustração sobre oxigénio molecular, onde cada molécula é constituída por dois átomos (bolas) de oxigénio. Herschel fez a sua descoberta numa zona densa de gás e poeira adjacente a regiões de formação estelar na nebulosa de Orion. A imagem da nebulosa de Orion foi tirada, em luz infravermelha, pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA - Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech

Átomos individuais de oxigénio são comuns no espaço, particularmente em torno de estrelas massivas. Mas o oxigénio molecular, que representa cerca de 20 por cento do ar que respiramos, nunca tinha sido detectado até agora. As novas observações fornecem pistas que ajudam a explicar a sua "aparente ausência".
Os astrónomos suspeitam que as estrelas recém-nascidas aquecem os grãos de gelo próximos, libertando a água, que foi então convertida em moléculas de oxigénio. Noutras partes das nuvens, onde as moléculas de oxigénio não são detectadas, o oxigénio pode estar preso no gelo de água que recobre os minúsculos grãos de poeira.
A busca de oxigénio molecular vai continuar noutras regiões de formação estelar.
Fonte: NASA

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Astrónomos encontraram o maior e mais distante reservatório de água do Universo

Duas equipas de astrónomos descobriram o maior reservatório de água e também o mais distante já detectado no universo.
A água, equivalente a 140 triliões de vezes a água de todos os oceanos do mundo, envolve um enorme quasar, situado a mais de 12 biliões de anos-luz.

Ilustração de um quasar, semelhante a APM 08279 5255, onde os astrónomos descobriram enormes quantidades de vapor de água - Crédito: NASA / ESA

Em geral, a libertação de energia de um quasar tem origem num grande buraco negro que se alimenta do "disco" de poeiras e gás que o rodeia.
Os dois grupos de astrónomos estudaram um quasar chamado APM 08279 5255, que abriga um enorme buraco negro 20.000 milhões de vezes mais massivo que o Sol, produzindo mais energia que mil biliões de sóis.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Telescópio Espacial Hubble faz a sua milionésima observação científica

O Telescópio Espacial Hubble, da NASA, atingiu mais um marco na sua aventura no espaço, durante 21 orbitando a Terra. Na segunda-feira, 4 de Julho, o famoso observatório fez a sua milionésima observação científica, durante uma busca de água na atmosfera de um exoplaneta, HAT-P-7b, a 1.000 anos-luz de distância.

Ilustração do trânsito do exoplaneta HAT-P-7b, um planeta gasoso maior que Júpiter, orbitando uma estrela mais quente do que nosso Sol - Crédito: NASA, ESA, and G. Bacon (STScI)

O Hubble é mais conhecido pelas suas imagens deslumbrantes sobre o cosmos, mas desta vez ele fez uma medição espectroscópica, onde a luz é dividida nas suas cores componentes. Estes padrões de cores podem revelar a composição química de fontes cósmicas.
HAT-P-7b, também conhecido como Kepler 2b, tem sido estudado pelo Observatório Kepler, da NASA, depois de ser descoberto por observações terrestres. Hubble está a ser usado para analisar a composição química da atmosfera do planeta.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Os jactos de Enceladus podem vir de um oceano de água líquida salgada no interior da lua, revelou a sonda Cassini

A sonda Cassini descobriu a melhor evidência, até agora, de um grande reservatório de água salgada sob a crosta gelada de Enceladus, lua de Saturno. Os dados resultaram de análise directa, feita pela sonda, dos grãos de gelo ricos em sal, perto de jactos recém-expelidos pela lua.

Jactos grandes e pequenaos expelem água gelada para fora, em muitos locais ao longo das famosas "listas de tigre", perto do pólo sul de Enceladus, lua de Saturno - Crédito: NASA / JPL / Space Science Institute

Durante três passagens em 2008 e 2009, os dados do analisador de poeira cósmica da Cassini mostram que os grãos expulsos de fissuras, conhecidas como "listas de tigre", são relativamente pequenos e predominantemente pobres em sal, longe da lua. Mas mais perto da superfície da lua, Cassini descobriu que predominam nos jactos grãos relativamente grandes e ricos em sódio e potássio. As partículas ricas em sal têm uma composição semelhante à de um oceano e indicam que a maioria, senão todo, do gelo e vapor de água expulsos resultam da evaporação de água salgada líquida, em vez da superfície gelada da lua. As descobertas aparecem na edição desta semana da revista Nature.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mars Science Laboratory Curiosity


Sonda espacial Mars Science Laboratory Curiosity, em 3 de Junho. Continuam os preparativos para o seu lançamento no outono de 2011, partir do Cabo Canaveral, na Flórida, durante o período de 25 Novembro - 18 Dezembro de 2011.
Na sua missão, o robô Curiosity irá pousar em Marte, em Agosto de 2012. Os cientistas vão usar as ferramentas da sonda robotizada para estudar se a região de "aterragem" teve condições ambientais favoráveis ​​à manutenção da vida microbiana e à preservação dos indícios sobre a vida, se ela existiu.
Mais informações sobre a missão em http://marsprogram.jpl.nasa.gov/msl/
Crédito imagem: NASA / JPL-Caltech

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Um novo verme multicelular é encontrado numa mina profunda

Terra - Planeta de Vida em ambientes e condições diversas - Fonte: wikipédia

Cientistas encontraram quatro espécies de nematóides, vermes cilíndricos, no interior de minas de ouro da África do Sul, a uma profundidade onde se pensava que só podiam viver bactérias. Pelo menos uma das espécies, mephisto Halicephalobus, é nova para a ciência e nunca foi descrita antes.

domingo, 8 de maio de 2011

Segundo cientistas, a atmosfera de Titã pode ter sido gerada por impactos na sua superfície

Na imagem, Titã com a sua atmosfera espessa e densa contrasta com Tétis, outra lua de Saturno e sem qualquer atmosfera - Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute

Titã é a única lua com uma atmosfera gasosa, rica em azoto que, segundo um novo estudo, de pesquisadores da Universidade de Tóquio dirigidos pelo cientista Yasuhito Sekine, pode ter resultado do bombardeamento da superfície gelada da lua, rica em amónia, por grande quantidade de asteróides e cometas, há biliões de anos atrás.
A atmosfera de Titã é constituida por mais de 95% de azoto, com uma pressão atmosférica na superfície cerca de 50% maior do que na Terra.

sábado, 7 de maio de 2011

Mars Express detecta fracturas profundas em Marte

Imagens da Mars Express, divulgadas pela ESA, mostram Nili Fossae, um sistema de fracturas profundas à volta da bacia gigante de impacto Isidis. Algumas destas fendas de Marte vão até 500 metros de profundidade e provavelmente formaram-se ao mesmo tempo que a bacia.

Nili Fossae é um sistema de "graben" em Marte, localizado a 22 ° N / 77 ° E e abrange uma área com cerca de 10 300 quilómetros quadrados.A imagem foi tirada em 8 de Fevereiro de 2008, usando o High-Resolution Stereo Camera em Mars Express - Crédito: ESA DLR / FU Berlin / (G. Neukum)

Nili Fossae é um sistema de "graben" em Marte, a nordeste da província vulcânica de Syrtis Major, na extremidade noroeste da bacia gigante de impacto Isidis. Graben refere-se ao terreno afundado entre duas falhas paralelas ou fracturas nas rochas e que se desmorona por acção de forças tectônicas. O sistema de Nili Fossae contém numerosos "graben" orientados concentricamente em torno das bordas da bacia.

Nili Fossae, sistema de "graben" em Marte, visto em perspectiva - Crédito: ESA DLR / FU Berlin / (G. Neukum)

Acredita-se que a inundação da bacia com lava basáltica, após o impacto que a criou, provocou o afundamento do seu piso, aumentando o stress na crosta do planeta, que se fracturou como consequência.
O material da parte superior da primeira imagem (ou parte inferior da segunda) é mais escuro, provavelmente formado por rocha basáltica ou cinzas vulcânicas provenientes da região de Syrtis Major. Estas coberturas de lava formam-se quando grandes quantidades de magma basáltico de baixa viscosidade escorrem longas distâncias antes de arrefecer e solidificar. Na Terra, acontece o mesmo fenómeno em Deccan Traps na Índia.
A área de Nili Fossae despertou o interesse dos cientistas porque observações feitas com telescópios na Terra, em 2009, mostraram um significativo reforço de metano na atmosfera de Marte nessa zona, sugerindo que o metano pode ser produzido lá. Não se conhece a sua origem, mas pode ser geológica ou mesmo biológica.
Deste modo, tornou-se prioritário compreender a origem do metano em Marte. Em 2016, a ESA e a NASA planejam lançar o ExoMars Trace Gas Orbiter para investigar mais, nomeadamente Nili Fossae.
Fonte: ESA

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Existe um oceano interno de água em Titã?

Pesquisadores sugerem que algumas particularidades na rotação da maior lua de Saturno, Titã, podem constituir mais uma evidência de que ela tem um oceano subterrâneo.
Titã é o único planeta, além da Terra, que tem líquidos na sua superfície. Possui uma atmosfera espessa, rica em azoto, na qual existem milhares de diferentes tipos de moléculas orgânicas. A lua também tem um ciclo de tempo baseado em metano, com chuva de metano caindo em lagos de hidrocarbonetos líquidos.

A superfície de Titã tem lagos de hidrocarbonetos. Os cientistas acreditam que podem existir oceanos de água líquida e amónia abaixo da sua superfície - Crédito: NASA/JPL

Recentes descobertas também sugeriram que Titã possui um oceano interno, formado por água e amónia. Rastreando através da densa atmosfera de Titã com um radar, a sonda Cassini descobriu que ao longo do tempo, algumas estruturas proeminentes da superfície tinham-se deslocado mais de 30 Km da posição em que eram esperadas, mostrando que a crosta estava a mover-se, o que sugere que ela está sobre líquido.

Ilustração da estrutura interior de Titã. O interior frio não conseguiu separar-se em camadas diferenciadas de gelo e rocha. Além da superfície nebulosa de Titã (amarelo), as camadas seguintes mostram uma camada de gelo perto da superfície (cinzento claro), um oceano interno (azul), mais uma camada de gelo (cinzento claro) e a mistura de gelo e rocha no interior (cinzento escuro) - Crédito: NASA/JPL

A gravidade da Cassini e observações de radar de Titã descobriram mais pistas de que deve ter um oceano subterrâneo.
A órbita de Titã é semelhante à da nossa Lua, voltando sempre a mesma face para Saturno. No entanto, os pesquisadores notaram que o eixo de rotação de Titã estava inclinado cerca de 0,3 graus, o que parece um valor alto dada a estimativa do momento de inércia da lua.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Rio Tinto (Huelva), Marte em Espanha

A zona mineira do Rio Tinto, em Huelva (Espanha) foi o local escolhido pela Agência Espacial Europeia (ESA) para organizar, entre 15 e 22 de Abril, a primeira expedição europeia para testar a tecnologia para viajar até Marte.

'Astronauta' no comando do Eurobot Ground Prototype, veículo robótico para ir a Marte - Crédito: ESA / ÖWF / P. Santek

Durante uma semana, foram realizados testes com o 'Eurobot', o veículo robótico. Além disso, os astronautas testaram uma nova roupa e o novo equipamento médico que monitora a sua saúde. O projecto foi coordenado pelo Forúm Austríaco do Espaço, o Instituto do Centro de Astrobiologia em Madrid e Europlanet (um organismo europeu de investigação para a ciência planetária).
 
O novo fato espacial para Marte foi testado em Rio Tinto (Huelva). O colete interior era a nova versão do equipamento médico Long Term Medical Survey System (LTMS) da ESA - Crédito: ESA

A paisagem e o terreno torna Rio Tinto um lugar perfeito para simular uma saída em Marte. Até a sua cor faz lembrar o planeta vermelho.
Durante muitos anos pensou-se que a cor vermelha do rio se devia à poluição causada pela mineração na zona, e o rio era considerado morto. No entanto, descobriu-se que ali vivem microrganismos chamados quimiolitotrofos, que não necessitam de matéria orgânica. Podem crescer oxidando matéria inorgânica. Basicamente, oxidam pirite, que é um sulfureto de ferro. No subsolo de Rio Tinto existe uma das mais importantes fossas de pirite do mundo e a maior da Europa.

Rio Tinto (Huelva), ambiente extremo - Fonte: wikipédia

Os quimiolitotrofos oxidam o enxofre e o ferro da pirite, dando ao rio as suas características específicas. O metabolismo destes microrganismos cria o ambiente de Rio Tinto.
As águas do rio têm uma química muito complexa e apesar de ser um ambiente extremo, nelas vive uma grande diversidade de seres, bactérias, fungos,etc. representantes de todos os ramos da árvore da vida. Como têm um pH muito ácido, teoricamente deveria haver pouca diversidade.
Rio Tinto é um lugar já consagrado internacionalmente como um bom representante do planeta vermelho. A descoberta de que era rico no mineral 'jarosita' tornou-o muito conhecido, chamando a atenção dos cientistas ligados à exploração espacial.

Fragmento de jarosita  - Fonte

A jarosita é um sulfato de ferro, potássio e sódio que se forma apenas na presença da água, concretamente água ácida e carregada de metais. O robô Opportunity da NASA encontrou jarosita em Marte, em Meridiani Planitia, o local de pouso do robô, o que foi considerado uma forte evidência que a água já existiu em Marte.
Fonte: ESA / El Mundo

Link relacionado:
Outros locais extremos análogos a Marte

quarta-feira, 13 de abril de 2011

As atmosferas da Terra e de Titã têm origem no mesmo bombardeamento cósmico

Pesquisadores espanhóis do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), descobriram que a atmosfera de Titã, satélite de Saturno, e da Terra têm a mesma origem. A análise dos dados obtidos pela missão Cassini-Huygens, um projeto da NASA, da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Italiana, sugere que a evolução química das atmosferas dos dois astros foi marcada pelo último grande bombardeamento de asteróides e cometas, durante o formação do Sistema Solar, há cerca de 3.900 milhões de anos.

As atmosferas da Terra e Titã compartilham a origem: um bombardeamento de asteróides e cometas marcou a sua evolução - Crédito (Terra): wikipédia; Crédito (Titã): NASA / JPL / Space Science Institute

Segundo Josep Maria Trigo, do Instituto de Ciências do Espaço (CSIC-IEEC) e Francisco Javier Martín, do Centro de Astrobiologia (CSIC-INTA), autores do estudo publicado na revista 'Planetary & Space Science', este grande bombardeamento tardio, cerca de 600 milhões de anos depois do início da formação do Sistema Solar, começou quando Júpiter e Saturno migraram para as suas actuais órbitas, o que afectou outros corpos celestes, fazendo com que uma grande quantidade de asteróides e cometas com água e matéria orgânica começaram a colidir com planetas rochosos, como a Terra.
De acordo com os cientistas, a Terra e Titã são semelhantes, embora se tenham formado muito longe um do outro. As suas atmosferas têm em comum a abundância de azoto molecular, deutério, hidrogénio, carbono, azoto e oxigénio, o que faz sugerir uma mesma fonte, devido aos efeitos de cometas e asteróides.
Os investigadores também realizaram um estudo termodinâmico das condições atmosféricas dos dois corpos planetários. Os resultados sugerem que a evolução química das duas atmosferas teria sido semelhante, marcada por vários impactos. Na Terra, esse último grande bombardeamento, foi fundamental para enriquecê-la com os ingredientes básicos para a aparição da vida.

Cometas e asteróides contribuiram para a origem da vida, no aporte de água e compostos orgânicos à Terra primitiva - Crédito: wikipédia

A maioria dos vales e grandes crateras da Lua foram provocados pelo impacto destes objectos enriquecedores nesse período, tal como indicam as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo da NASA. Outras evidências do papel destes impactos são a composição da crosta terrestre e do manto, com uma abundância de metais. Se estes metais tivéssem chegado nas primeiras fases do planeta, teriam migrado para o núcleo terrestre. Além disso, os vulcões emanam gases com anomalias características dos meteoritos condríticos.
Os pesquisadores acreditam que o último grande bombardeamento foi a chave para mudar o destino da Terra, um planeta que, há 3.900 milhões de anos atrás não era apropriado para a vida.
"A chegada de tais compostos e de partículas metálicas catalizadoras capazes de sintetizar moléculas orgânicas mais complexas sob a acção do fluxo da radiação solar, permitiu converter o nosso planeta no único oásis de vida que, por enquanto, conhecemos", asseguram os autores do estudo.
Um vídeo sobre o estudo (clicar na imagem).

Titã

Fonte: Centro de Astrobiologia via El Mundo

segunda-feira, 21 de março de 2011

A experiência de Miller de 1958 pode ajudar a explicar a origem da vida na Terra

Amostras arquivadas de um estudo de Stanley Miller, de 1958, foram descobertas recentemente e analisadas por um ex-aluno, Jeffrey Bada. Os resultados obtidos no estudo dão novas pistas sobre como a vida pode ter surgido na Terra. 
Stanley Miller realizou experiências sobre a origem da vida . Demonstrou que é possível obter compostos orgânicos a partir de substâncias inorgânicas - Fonte: wikipédia

As amostras encontradas eram de uma experiência semelhante à de Urey-Miller (ou "sopa orgânica") e que foi realizada por Miller cinco anos depois, em 1958, em que, por qualquer razão, os resultados foram arquivados e não analisados.
em 2008, pesquisadores também analisaram os resultados de uma outra das experiências de Miller, onde foram encontrados 22 aminoácidos, dos quais 10 não tinham sido detectados em 1953, durante a experiência original.
Em 1953, Stanley Miller da Universidade de Chicago, em Illinois e os colegas realizaram uma das experiências famosas em toda a ciência, conhecida como 'experiência de Urey-Miller'. Os cientistas admitiram que a atmosfera da Terra primitiva era semelhante à de Júpiter e criaram uma mistura contendo metano (CH4), amónia (NH3), hidrogénio (H2) e água (H2O). De seguida, fizéram passar descargas eléctricas através desta "sopa elementar", simulando os raios que se acredita terem sido comuns na Terra primitiva. Como resultado, verificou-se a formação de diversas moléculas orgânicas e aminoácidos no que ficou conhecido como "sopa primordial". Deste modo, conseguiu demonstrar experimentalmente, que nas condições primitivas da Terra, seria possível aparecerem moléculas orgânicas através de reacções químicas na atmosfera, uma possibilidade para o início de vida no nosso planeta.
Desta vez, os investigadores analisaram os resultados de um dos estudos de Miller realizado em 1958.
As amostras encontradas revelam que ele provocou descargas eléctricas através de uma mistura gasosa contendo sulfureto de hidrogénio (H2S), metano (CH4), amónia (NH3) e dióxido de carbono (CO2). Esta mistura gasosa pode ter sido mais representativa do meio ambiente em torno das nuvens vulcânicas primitivas do que os gases usados ​​na experiência de 1953. As novas análises dessas amostras, utilizando métodos que ainda não estavam disponíveis para Miller, revelaram um total de 23 aminoácidos e 4 aminas, incluindo 7 compostos orgânicos sulfurados.

O cheiro forte a "ovos podres" indica a presença de gás sulfídrico (H2S) nas fumarolas de S. Miguel, Açores

A origem da vida é um dos temas mais debatidos, onde a fonte dos materiais químicos prébióticos continua a ser um mistério. Alguns pesquisadores consideram que a vida poderia ter começado em torno das fontes hidrotermais, que libertam um caldo quente, quimicamente activo e rico em minerais na profundidade dos oceanos.
De acordo com o estudo publicado hoje na revista Proceedings of National Academy of Sciences,  as condições primordiais simuladas por Miller podem servir como um modelo para a composição química das nuvens vulcânicas primitivas e fornecem uma visão do possível papel dessas nuvens na formação dos materiais necessários à vida. Além disso, o cientista também descobriu que as abundâncias globais dos aminoácidos sintetizados na presença do sulfureto de hidrogénio (H2S) são muito semelhantes às abundâncias encontradas em alguns meteoritos carbonáceos, sugerindo que o H 2 S pode ter desempenhado um papel importante nas reacções prebióticas em ambientes primitivos do sistema solar.
Fonte: Estadão / Estudo publicado na PNAS / Science / Scripps Institution of Oceanography

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